
Foto: Ana Vitoria Gaspar da Silva
Aldeando a cidade: vozes indígenas em Anama Sapopemba
Ontem, dia 12/07, estive presente no evento Anama Sapopemba, a convite da artista visual Vahnessa Oliveira, que expôs suas fotografias no festival. Vahnessa, que já participou do Podcast André Alves Com-Vida, lá no canal da AFA Vídeo, onde atuo como jornalista, levou sua sensibilidade visual para somar nesse encontro.
O Anama Sapopemba é um festival indígena que celebra a diversidade e o contexto dos povos originários em territórios urbanos e periféricos. Entre as atrações, destacaram-se as apresentações de Kaê Guajajara, Winona Evelyn, Lucas Kariri, DJ Cris Pantoja e o grupo Samba Miudinho, que animaram o evento. As artes visuais também marcaram presença com força e beleza. Assinaram a exposição os artistas: Kath Xapi Puri, Euna Thayna, Oru, Dani Sateré, Gustavo Paixão, Vahnessa de Oliveira e Adson Colares.
Participei também da roda de conversa “Aldear Periferias – Formas Contemporâneas de Existir e Resistir”, mediada por Nathália Leal Tapajós, com as participações de Heloísa Tupinambá, Júlia Otomorinhori’õ Xavante e Guilherme Haniel Xamun. Um diálogo necessário sobre retomada, identidade e os constantes apagamentos culturais enfrentados pelos povos indígenas.
O evento aconteceu NO Espaço Escambo Cultural, hoje reconhecido como Ponto de Cultura, é uma associação sem fins lucrativos que atua na promoção e fortalecimento da cultura na cidade do Rio de Janeiro. Sua missão é impulsionar ações culturais, artísticas e comunitárias que valorizem a diversidade e o acesso à cultura para todos.
"Escambo" é uma palavra frequentemente encontrada nos livros de História para descrever as trocas realizadas durante a invasão portuguesa ao território que hoje chamamos de Brasil. Nessas relações, os colonizadores ofereciam bugigangas em troca de pau-Brasil, ouro e outros bens valiosos, uma forma disfarçada de exploração dos povos originários.
Compreender o contexto histórico do termo dá um novo sentido ao nome do Espaço Cultural Escambo: aqui, a proposta é ressignificar a troca. Em vez de exploração, promover um escambo de saberes, culturais e vivências, onde todos saem fortalecidos. Uma troca justa, consciente e coletiva.
O Anama Sapopemba é mais do que um evento, é uma retomada simbólica, uma ocupação dos centros por vozes que historicamente foram silenciadas. Arte, corpo, fala e território se cruzam para afirmar: estamos aqui, existimos e resistimos.
Rio de Janeiro é Terra Indigena!
Não houve descobrimento, houve invasão!
Texto: Ana Vitoria Gaspar da Silva
13/07/2025