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Foto: Reprodução/YouTube
Reprodução/TV Globo
Assédio ao Vivo: A Luta Contra o Machismo nas Mídias e Além
Durante as Olimpíadas de Paris, ocorreram dois casos de assédio transmitidos ao vivo. A repórter Veronica Dalcanal foi assediada por três homens, que se aproximaram e beijaram seu rosto sem permissão. Ao vivo, a repórter da TV Brasil declarou: "Eu estava passando as informações durante a transmissão da série B quando um grupo de torcedores invadiu o vivo. Sabemos que é comum a torcida interagir com os repórteres, mas eles foram muito desrespeitosos comigo e ultrapassaram os limites." No dia 11 de agosto, a repórter Denisa Thomaz Bastos, durante a cobertura de encerramento para a TV Globo, passou por situação semelhante. Um homem tentou beijá-la, e ela prontamente reagiu: "A galera não cansa de fazer isso, né, Luis? De tentar beijar as pessoas de forma inapropriada."
Infelizmente, não é a primeira vez que repórteres, ao redor do mundo, enfrentam esse tipo de violência enquanto exercem sua profissão. Os assediadores demonstram total falta de vergonha e respeito ao cometerem tais atos. O assédio está profundamente enraizado no machismo que permeia nossa sociedade, refletindo o desejo de alguns homens de exercer poder sobre os corpos femininos. Não se trata de um caso isolado, mas de uma cultura inteira que sustenta esse comportamento.
Somente no primeiro semestre de 2024, foram identificados 905 casos com indícios de feminicídios consumados e 1.102 tentativas, segundo a Universidade Estadual de Londrina. O IPEA estima que ocorram cerca de 822 mil estupros por ano no Brasil. Em março de 2023, uma matéria da Agência Nacional destacou que o número de estupros aumentou 14,9%, com uma menina ou mulher sendo violentada a cada 8 minutos.
No mês de agosto, comemora-se o aniversário da Lei Maria da Penha. Em 7 de agosto, completaram-se 18 anos desde que a lei foi sancionada. A lei foi criada em homenagem a Maria da Penha Maia, uma mulher que sofreu violência por 6 anos nas mãos do marido, até se tornar tetraplégica em 1983 após ser baleada. Seu marido só foi punido 19 anos depois, com uma pena de apenas dois anos em regime fechado. Mesmo após tanto tempo, ainda há quem duvide da veracidade da história de Maria e do poder da lei.
Até quando será necessário viver sob violências que atormentam as mulheres?
Texto: Ana Vitoria Gaspar da Silva
15/08/2024