
Foto: inteligência artifical
O Dia do Zé é mais que fé, é resistência
“Seu Zé, quando vem de Alagoas, toma cuidado com o balanço da canoa…”
É desse jeito, na cadência da fala e na força da fé, que Zé Pelintra caminha com a gente.
Figura conhecida nos terreiros de Umbanda e no Catimbó, Zé Pelintra carrega uma história marcada por migração, resistência e sabedoria popular. Nasceu no sertão de Pernambuco e morreu no Rio de Janeiro, mas a verdade é que Zé nunca morreu. Ele continua vivo, andando por aí de terno branco de linho, chapéu na cabeça e olhar atento.
Muita gente associa Zé à malandragem no sentido pejorativo, como se fosse alguém que engana. Mas Zé Pelintra não engana ninguém. Ele é esperto porque precisou ser. Conhece o jogo porque já foi carta fora do baralho. Ele não passa a perna: ele ensina a caminhar. Com ele, é no compasso da rua, na conversa reta, no cuidado com quem é esquecido.
No dia 7 de julho, o Rio de Janeiro celebra oficialmente o Dia de Zé Pelintra, à Lei nº 7.549/2022. Uma data importante não só pra quem cultua o Zé, mas pra quem entende que o respeito às religiões de matriz africana ainda é uma luta viva no Brasil.
Num país que ainda queima terreiros, onde o racismo se disfarça de “opinião”, onde ser nordestino, preto e de axé ainda incomoda, ter um dia pra Zé é ter um dia pra dizer: estamos aqui. Nossa fé é legítima. Nossa história também.
Zé Pelintra é guia, é proteção, é memória de um Brasil profundo que sobreviveu ao apagamento.
Zé é o malandro que não abaixa a cabeça, o trabalhador que anda elegante, o cabra que sabe das coisas.
É quem protege os seus e não foge da briga quando é pra defender os oprimidos.
Falar de Zé é falar de fé, mas também é falar de política.
Porque nesse país, afirmar nossa espiritualidade é um ato de resistência.
Salve Seu Zé.
Hoje e sempre.
Texto: Ana Vitoria Gaspar da Silva
07/07/2025