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Foto: capa do álbum

Racismo à Brasileira: Quem Tem o Direito de Errar? O Caso Mc Poze e as Faces do Sistema

Mais uma vez, o racismo estrutural atravessa e marca corpos negros. Na última quinta-feira (29), o funkeiro Marlon Brandon Coelho Couto, o Mc Poze, foi retirado de sua casa no Recreio dos Bandeirantes de forma humilhante: descalço, sem camisa, com a cabeça empurrada para baixo pela Polícia Civil. A acusação? Envolvimento com o Comando Vermelho, uma das facções criminosas do Rio de Janeiro.

A cena, gravada e amplamente divulgada, evidencia um padrão que já conhecemos bem: a criminalização da juventude negra, o tratamento desumano, a espetacularização da violência. Antes mesmo de qualquer julgamento, Poze já era tratado como criminoso.

Pouco tempo depois, foi divulgada a ficha de entrada de Poze no presídio, onde constava que ele optou por ficar na ala do Comando Vermelho. O detalhe que muitos ignoraram? Essa escolha é uma exigência para quem entra no sistema carcerário do Rio de Janeiro. No Rio, dominado por facções e milícias, essa decisão é, na prática, uma questão de sobrevivência. Quem não escolhe um lado está em risco de morte.

Enquanto isso, vimos cenas bem diferentes quando o ex-deputado federal Roberto Jefferson, um homem branco, foi preso em 2022. Ele atirou cerca de 50 vezes e lançou três granadas de luz e som contra policiais federais e, ainda assim, saiu com direito à negociação, a um tratamento que beira o respeito. Nenhum vídeo mostrou Jefferson sendo humilhado, descalço, com a cabeça empurrada para baixo. Nenhuma mão pesada sobre seus ombros.

 

E mais recentemente, vimos a influenciadora Virginia Fonseca, mulher branca, ser tratada como uma estrela durante a CPI das Bets, recebida com sorrisos, selfies e até perguntas sobre sua vida pessoal, como se fosse uma celebridade em um evento de gala, não uma depoente em um caso sério de investigação.

A comparação é inevitável. Quando se trata de corpos brancos, o Estado sorri, afaga, negocia. Quando se trata de corpos negros, o Estado humilha, pune e exibe como troféu de uma falsa justiça.

Não é só sobre Poze. É sobre como a cor da pele define o tratamento que você recebe neste país. É sobre um sistema que transforma negros em suspeitos e brancos em estrelas. E isso diz muito sobre o Brasil em que a gente vive.

 

Texto: Ana Vitoria Gaspar da Silva

31/05/2025

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