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Racismo Ambiental: O Impacto da Crise Climática nas Periferias
Vocês estão sentindo esse calor? Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a sensação térmica em algumas regiões do Brasil pode chegar a itemperaturas escaldantes, principalmente no Sudeste e Sul, mas com impactos em outras áreas do país. Enquanto isso, no Rio Grande do Sul, as escolas estaduais permaneceram sem aula na última terça-feira (11/02) devido à onda de calor extremo.
O termo racismo ambiental é utilizado para descrever como populações mais vulneráveis são as mais afetadas por tragédias climáticas, como enchentes, deslizamentos e ondas de calor. Isso ocorre porque bairros mais pobres sofrem com falta de saneamento básico, coleta de lixo eficiente, redes de esgoto adequadas e acesso à água potável, além de serem frequentemente escolhidos para a instalação de aterros sanitários. Esses fatores agravam o impacto de eventos climáticos extremos, tornando essas comunidades ainda mais expostas aos desastres.
Nos últimos anos, o Brasil tem enfrentado ondas de calor cada vez mais intensas, mas o que não vemos são medidas concretas para proteger as pessoas sem privilégios sociais. Dentro das periferias, o calor pode ser ainda maior, devido à falta de áreas verdes e planejamento urbano adequado. Durante a pandemia de Covid-19, ouvia-se muito a frase: "Todos estamos na mesma tempestade, mas enquanto alguns estão em grandes navios, outros lutam para sobreviver em boias". O mesmo acontece com a crise climática: pessoas de classes sociais mais altas vivem em bairros arborizados, com acesso ao ar-condicionado, enquanto as comunidades mais pobres enfrentam temperaturas sufocantes sem qualquer estrutura para amenizá-las.
Estar exposto ao calor extremo e ao tempo seco sem os devidos cuidados traz sérios riscos à saúde, especialmente para crianças, idosos e pessoas com condições de saúde mais frágeis. Nosso corpo mantém uma temperatura interna média de 36 °C, e quando submetido a um estresse térmico, como temperaturas elevadas, ativa mecanismos naturais para resfriamento, como a transpiração. No entanto, em situações extremas, o calor excessivo pode levar a desidratação, insolação e outros problemas graves. (Fonte: Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios – TJDFT)
Em 2024, o Brasil sediou o G20, evento que reúne as maiores economias do mundo para discutir questões globais, incluindo a crise climática. O tema foi “Construindo um Mundo Justo e um Planeta Sustentável”, e pautas ambientais estiveram em debate. Mas será que ainda há tempo de salvar o planeta?
Em julho de 2024, a Revista Exame publicou uma matéria levantando essa questão. Segundo um relatório do Fórum Político de Alto Nível da ONU (UNHLPF), apenas 15% dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estão no caminho correto. Isso mostra que, apesar das discussões em eventos globais, as ações práticas continuam muito aquém do necessário.
Diante disso, é essencial estarmos atentos às eleições e ao compromisso dos candidatos com a causa climática. O que eles estão propondo para lidar com essa crise? Além disso, nossas escolhas individuais também fazem diferença. Precisamos repensar hábitos de consumo, combater o desperdício e pressionar por mudanças estruturais.
Texto: Ana Vitoria Gaspar da Silva
11/02/2025