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Foto: Reprodução

Da Trolagem à Realidade: Quando um Gesto Simples Ganha um Significado Perigoso

Por que o símbolo de "OK" feito pela treinadora Noémi Gelle, da ginasta húngara Fanni Pigniczki, causou tanta repercussão? Esse gesto, tradicionalmente associado ao "OK", foi apropriado por grupos de extrema-direita como símbolo do "poder branco". A origem dessa ressignificação remonta a 2017, quando um membro anônimo do fórum 4chan criou a "Operação O-KKK". A ideia era que extremistas começassem a usar o símbolo de "OK" como um sinal de supremacia branca americana, iniciando como uma "brincadeira" que rapidamente ganhou força.


O que começou como uma "trolagem" se transformou em realidade, e em abril de 2017, o gesto viralizou, sendo amplamente utilizado por extremistas em fotos nas redes sociais. Pesquisadores apontam que esse gesto se tornou uma mensagem codificada, um "dog whistle" (apito para cães), onde apenas aqueles familiarizados com a ideologia entenderiam o verdadeiro significado. Essa distorção do símbolo é tão preocupante que ele foi adicionado à lista de símbolos de ódio da Liga Antidifamação dos Estados Unidos, uma organização judaica pró-direitos humanos. No entanto, a Liga também ressalta que, geralmente, o gesto ainda significa "OK".


Durante a transmissão das vencedoras do skate street nas Olimpíadas, quando Rayssa Leal conquistou a medalha de bronze, um funcionário terceirizado fez o mesmo gesto para as câmeras, resultando na revogação de sua credencial pelo Comitê Olímpico Internacional (COI).


Mas qual é a conexão disso tudo com Noémi Gelle? Na Hungria, a extrema-direita governa o país há mais de 10 anos, liderada por Viktor Orbán. Seu governo é conhecido por políticas contrárias à imigração, especialmente de muçulmanos, e ao público LGBTQIA+. O Comitê Olímpico da Hungria afirmou que a treinadora fez o gesto como um sinal de que a apresentação da ginasta Fanni Pigniczki havia sido satisfatória.

Aqui no Brasil, durante uma sessão do Senado, o assessor internacional da Presidência da República, Felipe Martins, fez o mesmo gesto nas costas do Presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, o que levou Randolfe Rodrigues a solicitar sua retirada do plenário.


Essa imagem teve grande repercussão mundial, e no Brasil não foi diferente. É essencial discutir esse tema, para que mais pessoas tenham acesso à informação correta.

Texto: Ana Vitoria Gaspar da Silva

09/08/2024

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