.png)
Foto: Instagram @victoriahenriquee
Victória Henrique e o Impacto do Racismo Religioso nas Redes Sociais
A intolerância religiosa não é novidade, nem mesmo para pessoas na mídia. Com as redes sociais, esses episódios se tornam mais visíveis. Um exemplo é a cantora Anitta, que perdeu 150 mil seguidores em apenas 5 horas após postar fotos em um terreiro de candomblé para divulgar o clipe "Aceita". Muitos outros famosos passaram por situações semelhantes. Cléo Pires, em 2022, enfrentou críticas após postar fotos de seu casamento. Em 2018, Arlindinho recebeu inúmeros comentários ofensivos no Instagram ao publicar uma foto ao lado de um símbolo do candomblé. Outros artistas como MC Cabelinho, Malu Galli e Juliana Paes também passaram por isso.
Victória Henrique, jornalista da Globo, foi outro alvo de intolerância religiosa. Após postar um vídeo sobre a umbanda, ela perdeu seguidores. "Perdendo seguidores porque postei vídeo na Umbanda. O que é importante para mim estará aqui nesta rede. Não estou disposta a adoecer por fingir ser quem não sou. A minha liberdade em todos os aspectos é algo inegociável. Se gostou, bacana, se não, faça como eu: resolva as suas questões na terapia", declarou a jornalista em sua conta no Instagram. Victória é conhecida por sua luta antirracista, que sempre reflete em seu trabalho jornalístico.
A intolerância religiosa é crime no Brasil. O Código Penal Brasileiro (Decreto-Lei 2.848/1940), em seu artigo 208, estabelece que é crime "escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso". Além disso, o presidente Lula sancionou recentemente uma lei que equipara a injúria racial ao crime de racismo. As religiões de matriz africana são as que mais sofrem com ataques. Segundo o II Relatório sobre Intolerância Religiosa: Brasil, América Latina e Caribe da UNESCO, o Brasil registrou 86 casos de intolerância religiosa em 2020. Esse número aumentou para 244 em 2021, refletindo um crescimento de 270%. Dados do Ministério dos Direitos Humanos indicam que, em 2022, foram registrados 1.200 ataques a terreiros, um aumento de 45% em relação a 2020.
Devemos refletir sobre o motivo pelo qual religiões de tradições afro-indígenas sofrem tantos ataques, que estão profundamente ligados ao racismo. Essas religiões são heranças do povo preto e indígena, e a escravidão deixou sequelas que ainda enfrentamos atualmente. Apesar de toda a luta, ainda há um longo caminho a ser percorrido.
Texto: Ana Vitoria Gaspar da Silva
14/08/2024